No olho do furacão: conheça a última edição da revista InSights

O que significa prosperar em momentos difíceis?  

Essa questão está no centro da edição mais recente da revistaInSights Journal for Global Theological Education. Juliany González Nieves inicia com uma imagem marcante, inspirada na poeta porto-riquenha Mayra Santos-Febres, cuja coletânea*Huracanada* foiescrita logo após o furacão Maria. As palavras da poeta, “Juntos, todos nós, podemos levantar o que caiu e dar à luz uma nova ilha”, fornecem um contexto poderoso para os artigos que se seguem.

Isso porque os furacões que González Nieves tem em mente não são apenas meteorológicos. São as tempestades provocadas pelo homem que assolam nações, instituições, comunidades e indivíduos: a guerra que assola a Ucrânia, a crise em curso em Gaza, as forças sistêmicas que mantêm as mulheres à margem da educação teológica. Os artigos desta edição levam essas tempestades a sério — e, em seguida, questionam como seria para a Igreja e seus líderes darem à luz a vida em meio a elas.

Duas resenhas de livros colocam os leitores frente a frente com comunidades teológicas forjadas em meio ao conflito. Daniel Muvengi resenha*Serving God Under Siege: How War Transformed a Ukrainian Community* (Servindo a Deus sob cerco: como a guerra transformou uma comunidade ucraniana), de Valentyn Syniy, e Judy Wanjiru Wang’ombe resenha*The Cross and the Olive Tree: Cultivating Palestinian Theology Amid Gaza*(Acruz ea oliveira: cultivando a teologia palestina em Gaza), editado por John S. e Samuel S. Munayer. Juntos, esses livros levantam questões urgentes sobre a liderança teológica sob pressão, e, juntas, as resenhas apresentam um argumento convincente de que a teologia nunca se faz no plano abstrato.

Três artigos examinam o que é necessário para construir e manter faculdades de teologia que possam realmente servir à Igreja a longo prazo. Casthelia Kartika apresenta um rico estudo de caso do Seminário Teológico Amanat Agung, na Indonésia, mostrando como um processo de coaching ajudou a instituição a passar de uma gestão reativa e orientada por atividades para algo mais sólido: uma liderança baseada no discernimento e alinhada com a vocação. Vale a pena refletir sobre seu argumento de que a sustentabilidade na educação teológica é, fundamentalmente, um problema teológico, e não apenas gerencial. Evan Hunter volta sua atenção para o corpo docente, defendendo que investir em um corpo docente unificado e bem formado não é um luxo, mas a coisa mais importante que uma instituição pode fazer. E Lisa Lamb aborda uma das tempestades institucionais mais persistentes: as barreiras que impedem as mulheres de pregar em seminários do mundo em desenvolvimento e o custo que essas barreiras impõem a comunidades de fé inteiras.

Esta edição também traz uma mesa redonda do Fórum de Líderes Femeninas do Scholar Leaders. Líderes da Indonésia, do Quênia, do Oriente Médio, da Coreia e da América Latina refletem juntas sobre o que significa a espiritualidade em seus contextos específicos. Casthelia descreve a espiritualidade indonésia como “uma jornada de estar com Deus em prol dos outros”. Judy escreve que “a espiritualidade das mulheres africanas desafia qualquer compartimentação — aonde quer que vamos, nossa espiritualidade vai conosco”. Grace Al-Zoughbi destaca a hospitalidade como uma “dimensão vital da espiritualidade do Oriente Médio”. 

Por fim, a novaedição da ISJtraz uma importante entrevista com Jocabed Solano — teóloga e defensora das comunidades indígenas de Abya Yala (América Latina) — que leva os leitores a repensarem como a teologia cristã é entendida e praticada fora dos parâmetros ocidentais. Trata-se, ao mesmo tempo, de um desafio e de um convite.

Seja você um profissional da educação teológica, um líder de uma instituição religiosa ou simplesmente alguém que se preocupa com a forma como a Igreja global lida com um mundo turbulento, esta edição tem algo a lhe oferecer. Leia-a eminsightsjournal.orge traga suas questões teológicas com você.